Sportsmanship Incentive Movement

to stop insult is to stop physical violence

na Caneta de um Emigrante

História verídica contada na primeira pessoa

Fevereiro mês do amor 💕 e da amizade.

February 4, 2020

Nunca compreendi muito a razão pela qual havia pessoas que valorizavam mais um cão ou um gato 🐈 que um familiar, alguns diziam mesmo gostar mais do animal doque dos próprios filhos. 


Nunca compreendi o amor dessas pessoas ao seu bicho porque fui tanto amado por duas irmãs e amei-as tanto que não tinha espaço para acomodar um ser não racional. Quando cheguei em abril de 2007 à Florida nos Estados Unidos a confusão ainda foi maior, trabalhei em casas que a casota do cão tinha ar condicionado, bebiam água de garrafa e comida adequada ao seu tamanho, raça e imagine-se ao pelo ou cabelo. 


Passados dois anos de emigrante e passadas algumas dificuldades comecei aos poucos a compreender porque idosos preferiam animais para sua companhia, foi então que percebi que quem estava errado era todo o meu passado onde o cão era acorrentado 24 horas 7 dias na semana atrás de casa, em outros casos ao lado da garagem, quer fizesse chuva, sol, frio  ou calor era na rua o seu lugar.


E quantos mais anos foram preenchendo meu livro de emigrante mais eu fui compreendendo as escolhas por um animal mesmo o mais irracional, aquele que nem patas tem por exemplo a cobra, existem lojas específicas do sector só para venda a preços exorbitantes de animais que em outras zonas do globo são oferecidos ou mortos pelo prazer de apenas matar a que lhe chamam caça de lazer. 


Desde 4 de outubro de 2018 fiquei mais esclarecido da importância de um ser irracional na vida de um animal racional, o meu Goldy faz-me companhia nos momentos em que estou só, foi com ele ao meu lado que superei uma das piores fases de minha vida, a depressão que tinha e as dores levaram-me algumas vezes a pensar em desistir, ele foi uma parte integrante do meu renascimento, era para ele que gritava, chorava e era com ele que falava, desabafava muitas rezas, mas também disse muitos palavrões, nunca me mordeu, bateu, virou as costas ou chamou a polícia para me prender, bem pelo contrário, chegou a limpar as lágrimas, a uivar comigo e por vezes tive a sensação que também chorava ao meu ritmo. 


Quanto mais conheço as pessoas, mais gosto dos animais.

Paulo Almeida